Da Rio-92 à COP-30_ Três décadas entre o ideal e a realidade da política energética brasileira

A realização da COP-30 no Brasil, agora já concluída, reabriu um debate necessário sobre a evolução — ou a falta dela — da política energética e climática brasileira. Mais de três décadas após a Rio-92, desde a criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, passando pelo Protocolo de Quioto, pela COP-15 em Copenhague e pela Rio+20, o país alternou momentos de protagonismo diplomático com decisões internas erráticas e pouco estratégicas. A transição energética avançou no discurso, mas permaneceu lenta e fragmentada em sua execução. Examinar essa trajetória exige não apenas a análise dos dados da matriz energética brasileira, mas também a consideração das experiências práticas acumuladas em projetos pioneiros de descarbonização — como os primeiros projetos de MDL do início dos anos 2000.