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Alderi do Prado, presidente da Creral
A Creral (Cooperativa de Geração de Energia e Desenvolvimento) vive um momento decisivo para um de seus projetos mais ambiciosos: a Usina Hidrelétrica (UHE) Foz do Prata, de 49,3 MW . Localizado entre os municípios de Nova Roma do Sul e Veranópolis, o empreendimento de grande porte está na iminência de receber a Licença de Instalação (LI), marco necessário para o início efetivo das obras.
Trata-se de um dos maiores projetos em desenvolvimento no estado após os recentes eventos climáticos, servindo inclusive de modelo para a nova engenharia “antienchentes”. Além de ser um dos últimos aproveitamentos hidrelétricos dessa envergadura ainda disponíveis para construção na região, o que a torna um ativo estratégico e raro.
Em entrevista à Hydro Brasil, o presidente da Creral, Alderi do Prado, detalhou o cronograma atualizado, as adaptações de engenharia frente aos eventos climáticos no Rio Grande do Sul e a estratégia financeira para o aporte de R$ 300 milhões.
O principal objetivo da cooperativa no curto prazo é obter a LI até novembro deste ano. Devido à complexidade do projeto, houve um ajuste no cronograma de operação. A previsão de término, inicialmente ventilada para 2028, foi oficialmente consolidada para o segundo semestre de 2029, alinhando-se aos prazos de entrega de energia no mercado regulado e à outorga do Ministério de Minas e Energia (MME).
Segurança
Um dos pontos centrais da nova fase do projeto é a segurança. Diante do histórico recente de chuvas extremas no estado, a Creral revisou as premissas hidrológicas da barragem. “O projeto está sendo desenvolvido com abordagem mais conservadora e atualizado. Incorporamos dados operacionais das usinas a montante e revisamos as vazões para garantir a segurança das comunidades a jusante”, explicou Prado.
Investidores
Dos recursos a serem investidos, a Creral lidera o projeto com parceiros de longa data que caminharam junto em outros empreendimentos. Todavia, a cooperativa também pretende formar parcerias, dada a dimensão da UHE. “A ideia é construir parte com recursos próprios e também com financiamento específico, mas, desde agora, abertos para conversar com interessados em fazer parte do projeto”, explica Prado, adiantando que as tratativas já estão em andamento.
A UHE Foz do Prata contará com uma configuração técnica estratégica: uma casa de força principal (45,9 MW) e uma mini central (3,4 MW) ao pé da barragem. Segundo o presidente da cooperativa, a mini-central aproveitará a “vazão remanescente obrigatória”.
O reservatório da usina deve alagar cerca de 120 hectares, uma área considerada pequena para uma UHE. Atualmente, a Creral finaliza o levantamento cadastral para a emissão da Declaração de Utilidade Pública (DUP). Somente após essa etapa jurídica é que as negociações diretas com os proprietários rurais de Nova Roma do Sul e Veranópolis serão iniciadas.
Enquanto a outorga da Aneel foi liberada em março, a cooperativa ainda aguarda a outorga d’água do DRH. Por ora, segue trabalhando nos projetos executivos e no licenciamento ambiental prévio da LT e, finalizando as campanhas dos programas ambientais.
Além da usina, a Creral assume a responsabilidade direta pela construção de 700 metros de linha de transmissão (230 kV) e uma nova subestação, que conectará o projeto à rede básica nacional.


