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A segurança das barragens na era digital: inteligência artificial e novas tecnologias otimizam controle e mitigam riscos

Miguel Sória, presidente do CBDB
Em um cenário onde os eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes, a segurança das barragens emerge como um tema central.
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O presidente do Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB), Miguel Sória, destaca que a engenharia do setor tem se beneficiado enormemente do avanço tecnológico para garantir maior controle e eficiência na operação e construção dessas estruturas.

Sória ressalta que as novas tecnologias digitais, especialmente aquelas focadas na aquisição e processamento de dados, são essenciais para um monitoramento em tempo real. “O uso de métodos geofísicos, com radares e drones, evoluem cada vez em mais aplicações, auxiliando sobremaneira o processo decisório, principalmente no que se refere às práticas de segurança de barragens”, explica o presidente do CBDB.

Além disso, as inovações em engenharia de materiais e a automação de equipamentos pesados têm um papel importante. Máquinas que operam de forma autônoma com maior precisão e eficiência aceleram a construção de novas barragens, enquanto novos materiais melhoram o design, a construção e a manutenção das estruturas.

Sória aponta a inteligência artificial como um divisor de águas. “Os sistemas inteligentes, que ‘varrem’ a internet em busca de respostas e informações qualificadas, são sem dúvidas novas práticas que rapidamente se sedimentam no meio técnico da engenharia de barragens, afirma. A automação decorrente dessas práticas é vista como um benefício direto na redução de riscos e erros operacionais, diminuindo a probabilidade de acidentes.

Diante desse cenário de inovação, o CBDB tem atuado ativamente para promover o debate e o intercâmbio de informações entre profissionais da área. Eventos como a Damsweek 2025 servem como plataforma para discutir o uso dessas novas tecnologias e analisar criticamente as lições aprendidas em campo.

A engenharia de barragens, no entanto, enfrenta um desafio adicional imposto pelas mudanças climáticas. Com regimes de secas e inundações mais intensos, a necessidade de reavaliar infraestruturas é urgente. “Rever designs e adaptar as práticas torna-se essencial para aumentar a resiliência e assim alcançar gradativamente a preparação necessária para enfrentamento das novas condições”, pontua Sória.

O presidente do CBDB também destaca a importância de ferramentas legislativas e normativas. A legislação brasileira, com o Plano de Ações Emergenciais (PAE) e os Planos de Contingências (PLANCONs) elaborados pelas municipalidades, cumpre seu papel ao fornecer um roteiro claro em situações de emergência. A atuação das autoridades de proteção e defesa civil é fundamental para aumentar a resiliência da população.

“Cabe aos operadores do sistema aperfeiçoar continuamente a metodologia e o conteúdo dos PAEs e dos PLANCONs, principalmente a partir de lições aprendidas com eventos reais”, ressalta Sória, mencionando as inundações de 2024 no Rio Grande do Sul, onde as equipes da Usina Hidrelétrica Dona Francisca enfrentaram situações-limite.

Nota da Redação: O grande volume de chuva fez com que o nível do rio subisse rapidamente, atingindo a UHE Dona Francisca. Em decorrência disso, a usina teve que aumentar a vazão de água, liberando um volume histórico para evitar a sobrecarga do reservatório. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)) e a Defesa Civil monitoraram de perto a situação, classificando a barragem em Nível de Alerta. Essa classificação indica que, embora a segurança da barragem não estivesse comprometida, as anomalias causadas pelo aumento da vazão representavam um risco que exigia providências.

Sória reafirma a vocação técnica do CBDB, mantida desde sua fundação em 1961, e o alinhamento com a Comissão Internacional de Grandes Barragens (CIGB-ICOLD). O Comitê tem contribuído com os poderes públicos, seja na proposição de leis, como a Lei de Segurança de Barragens (Lei nº 12.334/2010), na escrita de normativos ou por meio de acordos de cooperação técnica.

O CBDB também tem se posicionado ativamente sobre questões de interesse público, publicando documentos de recomendação. Exemplos recentes incluem as “Recomendações de interesse público sobre possíveis soluções para cheias na bacia hidrográfica Taquari-Antas (2023)” e o “Controle de cheias: necessidade de uma governança nacional (2024)”, que reforçam o papel da instituição como uma voz ativa da engenharia de barragens em prol da sociedade.

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