|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A avaliação é de Charles Lenzi, presidente da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), que estima pelo menos 240 novos empreendimento em diversas regiões do país, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. “Esses investimentos irão se constituir em um verdadeiro motor de desenvolvimento, contribuindo para a melhora em indicadores socioeconômicos, como renda per capita e IDH”, destaca.
Apesar do otimismo, Lenzi repara que o setor ainda lida com gargalos conhecidos. O licenciamento ambiental, juntamente com as questões de escoamento e conexão, é apontado como um dos principais desafios para garantir que os projetos contratados em 2026 entrem em operação dentro do prazo. A Abragel, no entanto, busca atuar junto aos estados para agilizar o processo e assegurar a viabilidade técnica e o cumprimento dos prazos.
Lenzi enfatiza que as discussões no Congresso Nacional, que culminaram na MP, reforçaram a importância da PCH como reserva de capacidade e fonte despachável.
“As hidrelétricas de pequeno porte prestam um serviço indispensável ao equilíbrio da matriz, além de uma fonte de geração com os menores custos aos consumidores,” afirma o presidente da Abragel.
Essa capacidade de armazenamento e flexibilidade operativa, segundo Lenzi, é uma garantia para sustentar a expansão de outras fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar. A tecnologia de hidrelétricas reversíveis, que armazena energia e oferece flexibilidade operativa, também é vista como tendo “amplo espaço no país” e deverá ser cada vez mais valorizada pelo mercado por entregar energia em horários críticos.
Em termos de engenharia e tecnologia, o Brasil é considerado por Lenzi como um país com “a maior expertise mundial na construção de hidrelétricas,” estando plenamente preparado para a expansão. Ele ressalta que há um estoque de aproximadamente 10.000 MW em projetos de PCHs já aprovados na Aneel, o que permitiria um programa contínuo de contratações além do previsto na MP.
Sobre os investimentos necessários para viabilizar os novos projetos aumento, Lenzi reconhece que a conjuntura de juros elevados é um entrave para a execução das obras. Todavia, ele pondera que os projetos contratados via leilão, que oferecem um contrato de compra e venda de energia de longo prazo, garantem “previsibilidade de receitas, um elemento essencial para qualquer avaliação de financiamento.”
“Por essa razão, não esperamos dificuldades relevantes à construção desses empreendimentos, cuja participação de investidores privados é uma característica importante desse segmento”, conclui.


