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Juros altos e maior seletividade desafiam financiamento de PCHs, diz Julien Dias

Julien Dias

Diante de um cenário macroeconômico exigente, Julien Dias, diretor da consultoria, aponta que o sucesso dos empreendimentos no setor elétrico depende de estratégias financeiras desenhadas antes mesmo dos leilões.

O ambiente de negócios para as PCHs vencedoras dos últimos leilões de energia no Brasil enfrenta um momento de profunda transformação. Em um cenário marcado por juros elevados, risco fiscal e volatilidade internacional, a captação de recursos para obras de infraestrutura passou a exigir mais do que o acesso tradicional ao capital. A avaliação é de Julien Dias, diretor da Economizenergia, que destaca que, embora o crédito não tenha desaparecido, o nível de exigência dos financiadores atingiu um novo patamar.

Apesar das pressões sobre o custo do dinheiro, fontes de financiamento de longo prazo continuam disponíveis no país. Recursos do FGTS via Caixa Econômica Federal, fundos constitucionais como FNO, FNE e FCO, Fundo Clima e linhas do BNDES e de bancos regionais seguem operacionais.

No entanto, o apetite dos credores e do mercado de capitais tornou-se extremamente seletivo. Segundo Dias, não falta dinheiro no mercado, mas existe um critério muito mais rigoroso sobre onde alocar esse capital. Para obter o project finance, os empreendimentos precisam comprovar alta capacidade de pagamento, competitividade do CAPEX, qualidade dos contratos de venda de energia (PPAs), garantias sólidas e capacidade dos acionistas de suportar eventuais contingências.

Um dos principais gargalos enfrentados pelos empreendedores após os leilões não está apenas na estruturação das garantias, mas na origem da modelagem financeira. Na visão de Dias , muitos participantes entram nos leilões sem testar adequadamente a relação entre preço do contrato, CAPEX, OPEX e estrutura de financiamento.

 Após vencerem o certame, descobrem que o fluxo de caixa projetado é insuficiente para cobrir a dívida nas condições disponíveis. Por essa razão, a Economizenergia defende que a estratégia financeira seja desenhada antes do leilão, integrando modelagem, análise de sensibilidade e um planejamento de funding que preveja flexibilidade para refinanciamentos ou substituição de dívida no futuro, conforme as condições de mercado melhorem.

No tocante aos fundos de private equity e investidores estratégicos, o setor elétrico brasileiro compete diretamente por capital com mercados da América Latina, Estados Unidos e Europa. Elementos como risco-país, câmbio e segurança jurídica tornam os aportes em projetos greenfield mais criteriosos. Por outro lado, a volatilidade atual tem impulsionado movimentações de fusões e aquisições (M&A). A reorganização do setor tem levado empresas a rever portfólios e vender ativos, abrindo espaço para recapitalizações estratégicas e geração de valor em projetos operacionais de qualidade.

De olho no futuro, a EconomizEnergia demonstra otimismo e projeta crescimento ao expandir suas frentes de atuação além das hidrelétricas e do project finance tradicional. A consultoria baseia essa expansão na diversificação de serviços, aplicando sua expertise em quatro grandes pilares: estruturação financeira e funding, M&A, apoio estratégico a investidores e atuação em novos mercados ligados à transição energética — como sistemas de armazenamento em baterias (BESS), Leilão de Acesso, hidrogênio verde, programas da Finep e projetos de waste-to-energy.  Para Julien Dias, embora a geração de energ

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