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De acordo om Augusto Machado, presidente do SINGTD/ MG ( Sindicato Intermunicipal das Empresas de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia do estado de Minas Gerais), a expectativa é de que cerca de 70 projetos sejam cadastrados, totalizando aproximadamente 1.050 MW de potência. Para efeito de comparação, no último Leilão A-5 realizado em 2022, foram cadastrados 1.516 MW em aproveitamentos de até 50 MW, dos quais 985 MW foram habilitados. “Esses números oferecem uma referência importante, mas o cenário atual pode apontar para um comportamento mais conservador por parte do mercado”, afirma Machado.
A maioria dos projetos que devem participar do leilão encontra-se na fase inicial de licenciamento. Além disso, a participação de projetos de ampliação de usinas já existentes é considerada baixa.
Um dos principais desafios enfrentados pelo setor é a baixa demanda de energia. A média de contratação nos últimos leilões tem apresentado um declínio significativo, com uma expectativa de que o volume contratado no próximo leilão fique abaixo de 100 MW médios, pondera o executivo.
Custos
Outro fator que impacta a viabilidade dos projetos é o aumento dos custos de implantação. A pandemia da COVID-19 e a alta nos preços de insumos básicos, como cimento e aço, elevaram significativamente os investimentos necessários para a construção das usinas. Além disso, os custos com equipamentos eletroeletrônicos, mão de obra especializada, aluguel de maquinário e aquisição de terras também registraram aumentos expressivos, impactando diretamente a viabilidade econômica dos empreendimentos, relata o presidente do Sindicato.
Sobre o preço teto estabelecido para o leilão, em torno de R$ 380,00/MWh, Machado considera suficiente para viabilizar os melhores projetos, mas a baixa demanda e a intensa competição entre os participantes podem pressioná-lo para baixo. “No entanto, tudo dependerá fortemente da demanda a ser contratada. O que se tem observado nos últimos leilões é uma baixa demanda, o que tem resultado em um ambiente de competição muito acirrado”, diz ele.

Declínio
Ao analisar a média de contratação nos leilões realizados desde 2021, Machado mostra que a demanda tem apresentado um comportamento de declínio e foi muito aquém das expectativas do setor.
A média observada nesse período foi de 143 MW médios, distribuídos da seguinte forma: 2021 – 334 MW médios contratados em dois leilões; 2022 – 238 MW médios contratados em um leilão; 2023 e 2024 – sem contratação .
Considerando esse histórico recente, aliado à ampliação da abertura de mercado e ao avanço expressivo da implantação de parques solares na configuração de Geração Distribuída, a expectativa é de que a demanda no próximo leilão se mantenha em patamares reduzidos. Assim, é provável que o volume contratado fique próximo ou até mesmo abaixo de 100 MW médios, completa o executivo.
Apesar dos desafios, Minas Gerais possui um grande potencial hidrelétrico ainda a ser explorado. Atualmente, o estado conta com 71 PCHs e 135 CGHs em operação, gerando conjuntamente 931,39 MW de potência. No entanto, as empresas têm enfrentado dificuldades no desenvolvimento e licenciamento de novos projetos.


