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No 39º leilão de energia nova da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Câmara de Comércio de Energia Elétrica (CCEE), Santa Catarina liderou a contratação de usinas hidrelétricas, com 27 das 65 unidades habilitadas em todo o país, o que representa 42% do total. O estado teve 24 PCHs e 3 CGHs vencedoras. Com 52 projetos inscritos, o estado respondeu por 22% do total de 241 projetos em nível nacional. A expectativa é de mais de R$ 3 bilhões em investimentos nos próximos anos.
“O governo de SC criou uma estrutura de apoio que permitiu superar etapas administrativas, como licenciamentos e outorgas, e também viabilizou projetos por meio de novas subestações”, explicou Carena. Essa infraestrutura estratégica, em municípios como Campo Belo do Sul, Lages, Painel e Urubici, tornou empreendimentos antes inviáveis economicamente em projetos competitivos. As obras dessas novas subestações, que devem começar nos próximos meses, permitirão a implantação de diversos projetos vencedores no leilão.
A coordenação entre os diferentes órgãos foi essencial, relata Carena. O Comitê Gestor do programa, liderado pela Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços (SICOS), reúne-se periodicamente para alinhar prioridades e critérios técnicos, garantindo que os projetos estivessem prontos e em sintonia com a infraestrutura disponível.

O impacto econômico
O impacto econômico esperado é vasto e abrange toda a cadeia produtiva. Com um investimento médio de R$ 10 a 12 milhões por MW instalado, o leilão representa um influxo significativo de capital para o estado. “A cadeia produtiva para a implantação de usinas é completa em Santa Catarina, ou seja, temos desde projetistas e consultores até fabricantes de todos os tipos de equipamentos. Grande parte desses investimentos deve ficar no estado”, destacou Carena.
Além de movimentar a economia, os projetos gerarão empregos em todas as etapas da implantação. A APESC estima que cada MW instalado viabilize 60 postos de trabalho, totalizando cerca de 20 mil novos empregos diretos e indiretos.
Para Carena, os benefícios vão além da geração de empregos e do crescimento empresarial. Ele enfatiza o efeito multiplicador na economia catarinense, com o aumento da arrecadação de impostos para o estado e os municípios. “Os municípios onde as novas usinas serão instaladas contarão com novas receitas que permitirão aos gestores viabilizar melhores condições para a população”, ressaltou.
“Santa Catarina aproveitará seu potencial para energias renováveis para seguir crescendo e se destacando no país”, concluiu o presidente da APESC, reforçando o papel estratégico do setor na matriz energética do estado e no desenvolvimento sustentável da região.
A demanda por profissionais:
- Projetistas e consultores ambientais (demanda imediata)
- Topógrafos e geólogos
- Engenheiros (civil, elétrico e mecânico)
- Técnicos industriais
- Operários da construção civil (carpinteiros, pedreiros, eletricistas, soldadores)
- Montadores e técnicos de manutenção
O alvo é aumentar IDH de regiões abaixo da média estadual
O programa Energia Boa, considerado o maior projeto estadual de fomento à geração de energia renovável do país, tem como objetivo injetar R$ 572 milhões em infraestrutura energética em regiões com IDH abaixo da média estadual. Atualmente, Santa Catarina ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de IDH, atrás apenas do Distrito Federal e de São Paulo.
O plano prevê a construção de seis novas subestações e 225,5 quilômetros de linhas de transmissão no Planalto Serrano, uma região com o maior potencial hídrico do estado. Com o aumento da infraestrutura, a expectativa é que Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) e usinas eólicas e solares possam se conectar ao sistema elétrico, ampliando a oferta de energia limpa e incentivando novos negócios.
As projeções indicam ainda uma receita de R$ 290 milhões em impostos municipais, estaduais e federais em 36 meses.
Além do impacto econômico, o programa tem um forte viés ambiental, incentivando a preservação de nascentes e cursos d’água ao apoiar a expansão de energias renováveis e a instalação de usinas hidrelétricas.
O programa Energia Boa é uma iniciativa conjunta da Celesc, da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC) e da Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços (SICOS), com o apoio de entidades do setor, como a Associação dos Produtores de Energia de Santa Catarina (Apesc).


