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O outono de 2026, que se inicia oficialmente neste sábado, 20 de março, traz perspectivas animadoras para o setor elétrico brasileiro. De acordo com um levantamento da consultoria meteorológica Nottus, o cenário combina níveis de afluência mais robustos do que os registrados no biênio anterior com condições climáticas que impulsionam as fontes renováveis, como a solar e a eólica.
Diferente do cenário de estresse observado em anos recentes, a transição para a neutralidade climática — após a saída do fenômeno La Niña — deve garantir que os reservatórios das hidrelétricas baixem em um ritmo muito mais lento do que o habitual para o período.
Um dos dados mais sólidos deste início de estação é o volume de Energia Natural Afluente (ENA). Atualmente, o Sistema Interligado Nacional (SIN) registra cerca de 108 GWmed, um patamar significativamente superior aos 73 GWmed de 2025 e aos 80 GWmed de 2024.
Embora o nível médio de armazenamento dos reservatórios no SIN (64,8%) esteja ligeiramente abaixo do registrado em março do ano passado (69,4%), a tendência é de estabilidade. “Os reservatórios devem apresentar queda ao longo do outono, mas de forma mais lenta em relação ao ano passado, influenciados por condições climáticas mais favoráveis”, explica Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus.
O desenho climático do trimestre favorece a diversificação da matriz. Na Região Central, tempo mais firme e a diminuição gradual das chuvas favorecem a geração solar. Na Região Sul, a passagem mais frequente de frentes frias aumenta a pluviosidade e os ventos, beneficiando a geração eólica. No Norte e Nordeste, os volumes de chuva permanecem elevados, especialmente em abril, mantendo os reservatórios dessas regiões em níveis confortáveis (atualmente em 91% e 83%, respectivamente).
Além de ajudar na oferta, o clima também joga a favor da demanda. Com a chegada do outono e a redução progressiva das temperaturas no Centro-Sul do país, o uso intenso de aparelhos de refrigeração diminui.
Segundo a Nottus, o avanço das frentes frias reduz drasticamente o risco de picos de carga provocados por ondas de calor extremo, o que confere maior segurança operacional ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ao longo de toda a estação.


