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Um dos principais avanços dos últimos anos, segundo Luiz Antonio Valbusa, diretor da SEMI Industrial, é a capacidade das turbinas de operarem de forma eficiente mesmo com menores quedas d’água e vazões variáveis. “O uso intensivo de simulações multifísicas e o design otimizado de pás, canais e bocais resultaram em ganhos reais de eficiência”, explica. Para a turbina Kaplan, por exemplo, a dupla regulação e os ajustes finos no ângulo das pás garantem desempenho superior em uma ampla faixa de vazões, um fator crucial em rios com fluxo irregular.

Materiais
Além da hidráulica, a escolha de materiais também é fundamental. Aços inoxidáveis de alta resistência e revestimentos avançados, como os de carboneto de tungstênio, combatem a erosão e diminuem o desgaste por cavitação, mantendo o rendimento da turbina mais alto ao longo de sua vida útil. “O resultado prático é uma menor queda de eficiência por degradação e uma operação confiável em cenários de vazões variáveis”, afirma Valbusa.
O monitoramento em tempo real, com sensores e análise de dados, marca uma mudança de paradigma na operação das centrais. Valbusa ressalta o papel dos sistemas de automação, como o RealWeb da SEMI, que permitem a gestão remota e a otimização de múltiplos equipamentos simultaneamente.
“Conseguimos detectar anomalias precocemente, antes que se transformem em falhas críticas”, pontua. Isso não só aumenta a segurança, mas transforma a manutenção, que deixa de ser baseada em calendários rígidos e passa a ser preditiva, reduzindo custos e aumentando a disponibilidade. A automação também permite que as usinas se adaptem às flutuações da demanda da rede, com a capacidade de modular a potência de forma precisa e alinhar a geração aos picos de preço no mercado de energia.
A busca por maior eficiência caminha lado a lado com a preocupação ambiental. O diretor destaca a evolução das chamadas turbinas “fish-friendly” (amigáveis aos peixes). Com design que reduz o gradiente de pressão e a velocidade de rotação, essas soluções minimizam o impacto na fauna aquática, facilitando o licenciamento em rios sensíveis.
No campo da sustentabilidade, o uso de lubrificantes ecológicos e a escolha de materiais com menor pegada tóxica se tornam uma tendência. Embora o custo inicial possa ser um desafio, a transição está em marcha, impulsionada por pressões regulatórias e pela preferência de financiadores.
Apesar dos benefícios, a adoção dessas tecnologias em PCHs e CGHs enfrenta desafios, como o investimento inicial mais alto, a necessidade de capacitação técnica e a integração de novas plataformas com equipamentos existentes. No entanto, Valbusa sugere caminhos para superá-los: “Modelos de negócio inovadores, programas de capacitação e o alinhamento regulatório são essenciais”.
Inovações em andamento
Para o futuro, as grandes inovações já estão em andamento. “Estamos caminhando para a inteligência artificial embarcada, a criação de gêmeos digitais (digital twins) e a expansão da geração distribuída”, projeta o diretor. A digitalização e a Internet das Coisas (IoT) transformam a turbina em um ativo inteligente e conectado, capaz de gerar não apenas energia, mas também informação estratégica para decisões de negócio.
“A evolução tecnológica das turbinas reforça a posição da hidroeletricidade como um pilar estratégico da matriz brasileira, uma fonte limpa e renovável que se reinventa para oferecer maior flexibilidade, eficiência e valor em um mercado de energia cada vez mais dinâmico e competitivo”, conclui Valbusa.


