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Ao avaliar os cenários das pequenas centrais, Ávila observou que, embora sejam ativos importantes para a regularidade da matriz, o alto custo de viabilização — decorrente de encargos na construção e do longo prazo de licenciamento — as torna menos competitivas em relação à energia solar, cuja instalação é mais econômica e rápida.
Segundo ele, o valor elevado necessário para viabilizar as PCHs não está na qualidade da energia, mas sim nos encargos associados à obra, como ICMS, INSS sobre folha de pagamento e o diferencial de alíquota na compra de aço. Já o processo de licenciamento ambiental é extremamente demorado, podendo levar quase dez anos, o que eleva os custos e atrasa o retorno do investimento.
Além disso, para as PCHs menores, o custo de construir as linhas de transmissão e conexão muitas vezes inviabiliza o investimento por completo. “A energia solar, que utiliza painéis importados com poucos encargos e tem preços em queda, acaba sendo muito mais barata e competitiva, apesar de gerar apenas durante o dia”.
Ele sugere que uma solução para isso poderia envolver a expansão das linhas de transmissão das distribuidoras nas regiões próximas aos rios, incorporando esses ativos à sua base e liberando as PCHs desse alto custo. “Com isso, o setor teria uma viabilidade muito maior porque, para as PCHs menores, o custo da linha muitas vezes inviabiliza o investimento”, ressaltou.
“Essa é uma pauta inteligente do planejamento setorial, porque é muito interessante para o país, dado que esses empreendimentos atraem mão de obra local e toda a cadeia setorial, além de dinamizar a economia muito mais do que uma usina solar”,
Com um portfólio que reúne um total de 172 MW, incluindo as PCHs Rondinha, Gameleira, São Bartolomeu e Tamboril, além da geração de energia, a Tradener atua ainda na gestão comercial de mais de 50 usinas de terceiros. Suas principais atividades de consultoria e gestão comercial incluem orientação sobre garantia física (GF); aconselhamento sobre as vendas da garantia física; gestão de geração e riscos.
Além disso, ajuda os investidores a lidar com situações de GSF e paradas para manutenção, que podem levar a uma diferença entre a energia vendida e a energia efetivamente gerada. “Também atuamos como aconselhamento de compra de energia, caso a usina tenha vendido toda a garantia física, mas não consiga gerar o volume total. A Tradener orienta sobre a forma mais eficiente e de menor custo para realizar a compra de energia necessária”, diz o CEO ressaltando que esse trabalho é realizado com “bastante sucesso” junto aos investidores de PCHs.

Sobre o futuro das PCHs no país, Ávila lembra que a Tradener possui DNA hidráulico e enxerga com otimismo o futuro do setor. “Tratam-se de ativos subaproveitados na matriz brasileira, que deveriam merecer prioridade e , assim, desenvolver todo o seu potencial porque proporcionam regularidade para os rios, além de vários atributos que fazem parte e suas características“.


