|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A Triton Energia, por meio da iniciativa liderada por seu presidente, Sevan Naves, tem transformado os lagos de suas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em promissores polos de produção de tilápia, buscando otimizar o uso do território e gerar benefícios diretos para as comunidades locais.
Atualmente, no rio Caiapó, a Triton Energia opera a PCH Mosquitão (30 MW), localizada na divisa de Arenópolis e Iporá, e utiliza os lagos desta PCH, juntamente com o da PCH Santo Antonio, para a atividade de piscicultura. “A comunidade local ressentia de uma maior participação na implantação de um lago, em seu território. Dentre os benefícios de imediato, optamos pela experiência da piscicultura, diante da possibilidade de se criar meios e envolvimentos econômicos e sociais, na comunidade”, explica Sevan Naves.
A ideia, que surgiu como forma de envolver a comunidade e agregar valor à presença dos reservatórios, já alcança uma capacidade de produção de até 200 toneladas/mês de tilápia.
A escolha do Rio Caiapó não foi aleatória. Segundo Naves, as características dos lagos de PCHs no local são altamente favoráveis à criação de tilápia. “A qualidade da água é muito favorável, pois as águas são abundantes e quentes e o lago é dinâmico, pois permite a oxigenação plena e constante, pois a água não está parada”, destaca.
Essa dinamicidade é um fator crucial também para a sustentabilidade ambiental. A conciliação entre a geração de energia e a piscicultura é facilitada, pois o lago dinâmico garante a oxigenação da água, aspecto vital tanto para a criação de peixes quanto para o ecossistema local, facilitando o licenciamento ambiental da atividade. A escolha da tilápia, “por ser rústica, crescimento rápido e com boa e crescente aceitação no mercado”, também simplificou a aplicação de tecnologias já consagradas.
Para consolidar o projeto como um polo econômico, os próximos passos da Triton já estão em curso. “A instalação de frigorífico e da fábrica de ração específica, foi o passo seguinte, junto a estrutura de comercialização. Isto permite a viabilização do projeto e envolve toda a comunidade”, afirma Naves.

Embora o cálculo exato do impacto na geração de empregos e renda nas comunidades de Arenópolis e Palestina de Goiás ainda não tenha sido finalizado, a mão de obra envolve desde a aquisição dos alevinos, o crescimento até juvenil e, nas gaiolas para engorda e a despesca, o que demanda cerca de 20 pessoas. Mais o transporte de alevinos e do peixe, da ração, o processo de evisceração e filetagem, no frigorífico.
O escoamento da produção, por enquanto, é regional, mas há planos “para exportação, em futuro breve”. Naves também enxerga com otimismo o apoio a pequenos produtores, com “iniciativas incipientes” para o médio prazo, visando à integração ao polo produtivo regional.
Segundo ele, um dos principais desafios regulatórios para a aquicultura no país é o limite legal que permite o uso de apenas 1% da superfície de água dos lagos para a atividade. Embora Naves veja potencial de crescimento mesmo dentro desse limite, ele ressalta a necessidade de “uma gestão melhor de estímulo do governo, inclusive, desestimulando a importação de peixes similares criados no Brasil”, para impulsionar a expansão do setor.


