|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A Lummi Energia, de Curitiba, consultoria especializada no setor hidrelétrico, com uma carteira de projetos aquecida e um aumento perceptível no volume de consultas, projeta um segundo semestre de 2026 marcado pela execução de projetos contratados e pela estruturação de novos portfólios greenfield.
De acordo com Pedro Masiero Jr, diretor da empresa, o evento da Abrapch, recentemente realizado, que reuniu os principais players do setor, serviu como termômetro para a maturidade do mercado após o leilão A-5 de 2025. Segundo o empresário, o perfil dos investidores está mais diversificado, atraindo desde multinacionais e fundos de investimento até cooperativas em busca de autoprodução.
Um dos pontos centrais discutidos pela Lummi durante o evento foi a gestão rigorosa do CAPEX. Em painel apresentado pelo presidente da companhia, Daniel Faller, foi destacada a importância de uma engenharia tecnicamente sólida para enfrentar a pressão sobre a cadeia de suprimentos e a recomposição de preços pós-pandemia.
“Nosso papel é apoiar o investidor na estruturação de projetos que sejam economicamente equilibrados desde a concepção. A previsibilidade operacional das PCHs é um diferencial competitivo enorme, especialmente frente às restrições operativas enfrentadas por outras fontes renováveis variáveis“, afirma a Masiero.
Integração de fontes
De outra parte, segundo ele, a integração de diferentes fontes de geração e de soluções de armazenamento tem se tornado um tema cada vez mais relevante no setor elétrico, especialmente à medida que cresce a participação de fontes renováveis variáveis no sistema. “No caso das pequenas centrais hidrelétricas, vemos um grande potencial para que elas atuem de forma complementar a outras fontes, contribuindo para maior estabilidade e flexibilidade operacional”, afirma.
Em um de seus estudos, a empresa participou da implantação de um sistema automático de integração de fontes em um sistema isolado que combina geração hidrelétrica, térmica e solar, analisando diferentes estratégias operacionais e possibilidades de melhorias do uso dos recursos energéticos disponíveis.
Esse tipo de abordagem permite explorar o papel das hidrelétricas como elemento de equilíbrio do sistema, além de avaliar como soluções de armazenamento podem contribuir para aumentar a eficiência e a confiabilidade da operação. Em um primeiro momento o uso de baterias se mostram promissores, mas ainda carecem de uma redução do CAPEX, que certamente terá uma tendência semelhante à da tecnologia fotovoltaica, relata Masiero.
“Ainda que muitos desses modelos estejam em fase de estudo e amadurecimento no país, entendemos que a tendência de integração entre diferentes fontes e tecnologias deverá ganhar espaço nos próximos anos”.
Potencial de negócios
Sobre os estados brasileiros que demonstraram maior potencial de novos negócios durante as rodadas de conversa, Masiero informou que existe um interesse bastante distribuído entre diferentes regiões do país, refletindo o bom potencial que o Brasil ainda possui para o desenvolvimento de pequenas centrais hidrelétricas.
Os estados de Goiás e Mato Grosso, segundo ele, continuam se destacando como mercados muito relevantes, tanto pelo histórico de desenvolvimento de projetos quanto pela existência de inventários e estudos já consolidados. Embora a contratação no último leilão A-5/2025 nessas regiões tenha ficado ligeiramente abaixo das expectativas de parte dos empreendedores, o interesse por novos projetos e oportunidades de desenvolvimento permanece bastante presente, acrescenta.
A região Sul – continua Masiero- também aparece com boas perspectivas, especialmente pela tradição no setor hidrelétrico, pela presença de empreendedores experientes e por cadeias de fornecimento já bem estruturadas. Além disso, percebemos um olhar crescente para oportunidades na região Norte do país.
“ É importante destacar que o avanço desses projetos não depende exclusivamente da realização de leilões no ambiente regulado. Muitos investidores também avaliam alternativas no mercado livre, modelos híbridos de negócio e estratégias de desenvolvimento de portfólio de ativos, o que amplia o horizonte de oportunidades para o setor”, afirma..


