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Como manter as luzes acesas em um cenário de mudanças climáticas aceleradas e eventos extremos cada vez mais frequentes? A resposta a esta pergunta, segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paran) não está apenas em olhar para o céu, mas em aplicar o que definem como “Inteligência Climática”.
Referência nacional em monitoramento hidrometeorológico, mais do que fornecer mapas de previsão, a entidade atua na interpretação técnica de dados para melhorar a operação de geração, transmissão e distribuição de energia.
De acordo com Marco Jusevicius, coordenador de operações do Simepar, o uso de dados meteorológicos especializados permite que as concessionárias mudem sua postura de reativa para proativa.
“Possuir previsões especialmente talhadas permite dimensionar equipes de manutenção que devem ficar em sobreaviso ou realizar o transbordo de equipes de uma área para outra. O trabalho começa nos cenários de previsão para os próximos dias e vai até a análise das lições aprendidas após cada evento”, afirma. “Essa estratégia é vital para enfrentar o “novo normal.”
Com base nos relatórios do IPCC, o Simepar alerta que o planejamento de novas hidrelétricas não pode mais se basear exclusivamente em médias históricas. Para empreendimentos com horizontes de 50 anos, a ciência climática tornou-se um item de sobrevivência financeira e operacional.
A estrutura que sustenta essa inteligência é robusta. Atualmente, o Paraná conta com uma rede de radares Doppler (bandas S e X) e mais de 150 estações hidrometeorológicas que geram dados a cada 15 minutos.
O estado está em meio a um ciclo de investimento maciço através dos projetos Monitora Paraná e Monitora Litoral, que expandirão a rede para sete radares de alta tecnologia nos próximos dois anos. Todo esse volume de informação é processado por sistemas de alto desempenho e algoritmos de Inteligência Artificial.

Marco Jusevicius, coordenador de operações do Simepar,
Nascido nos anos 90 como um laboratório da Copel, o Simepar ganhou independência e hoje atende gigantes como Light, Energisa e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O sucesso do modelo paranaense está sendo exportado. Desde julho de 2025, o Simepar lidera um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) com todas as distribuidoras de energia de São Paulo. Até 2027, o estado vizinho receberá uma nova rede de 25 estações de referência, integrando o conceito de inteligência climática na maior malha de consumo de energia do país.
O Simepar faz um alerta importante: ter acesso a aplicativos populares de previsão, como o Windy, não significa possuir inteligência climática.
“O paralelo é ter acesso a um tomógrafo sofisticado sem treinamento para interpretar as imagens”, compara Jusevicius . “A verdadeira inteligência reside no conhecimento científico para entender as limitações dos modelos e transformar o dado bruto em decisão estratégica, seja para evitar danos em linhas de transmissão por queimadas ou para gerenciar o impacto de tempestades severas”, ensina.


