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WillIan Rink , gerente de desenvolvimento de negócios da Siemens Brasil,
O mercado brasileiro de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) consolida-se como um dos alvos estratégicos para as novas tecnologias de digitalização e automação global. Durante a Feira de Hannover, na Alemanha, a Siemens apresentou um ecossistema focado na transição energética que promete transformar a operação desses ativos no Brasil.
Respaldada por esse portfólio, a Siemens Brasil projeta um volume de negócios superior a R$ 100 milhões para o segmento hídrico em 2026.
Segundo William Rink , gerente de desenvolvimento de negócios da Siemens Brasil, entre os principais destaques trazidos de Hannover com aplicação direta no parque de geração brasileiro está a Electrification-X. Trata-se de uma plataforma integrada de IoT Industrial (IIoT) desenhada para mitigar os gargalos da transição energética.
A plataforma conta com módulos específicos que elevam o patamar de supervisão das usinas .O Network Fault Management permite a localização exata de falhas e a integração total de Dispositivos Eletrônicos Inteligentes (IEDs) de proteção, realizando a coleta automática de oscilografias.
Já a OT Companion atua na análise profunda da rede de tecnologia de operação (OT), monitorando ativos e gerenciando atualizações de segurança (patching management) dos IEDs, além de oferecer proteção adaptativa.
Outro salto disruptivo, segundo Rink, é o SIPROTEC V, um sistema de proteção virtualizada. A tecnologia virtualiza o controle e a proteção de subestações e Usinas Hidrelétricas (UHEs), sendo capaz de escalar até 60 IEDs em um único servidor. O sistema utiliza algoritmos consagrados, opera em conformidade com a norma IEC 61850 e possui arquitetura nativamente pronta para Inteligência Artificial (IA).
Para auxiliar os operadores no despacho de carga e conferir maior resiliência diante da instabilidade das vazões fluviais, a Siemens aposta na plataforma modular SICAM 8. Combinando o hardware da série A8000 e softwares como o SICAM HMI e o SICAM Device Manager, a ferramenta foi desenhada para atuar onde a energia flui, garantindo alta escalabilidade e conformidade com as normas rigorosas de segurança cibernética (BDEW/IEC 62443).
O SICAM 8 oferece flexibilidade ao rodar tanto em hardware dedicado quanto em PCs industriais (Linux). Sua aplicação abrange desde a automação de subestações até o controle de carga dinâmica e gerenciamento de média e baixa tensão, suportando protocolos essenciais (IEC 61850, IEC 60870-5-101/104 e Modbus TCP).
Diante da tendência nacional de acoplar fontes — criando sistemas híbridos que unem PCHs à geração solar e ao hidrogênio verde ($H_2$) —, a Siemens indicou que os módulos de gestão de energia associados ao SICAM PPC (controlador de parque voltado para plantas fotovoltaicas de até 50 MWp) cumprem a função de integrar e coordenar essas microrredes.
Embora a Siemens Brasil não incorpore turbinas hidráulicas em seu portfólio local, a inteligência por trás do controle desses equipamentos e dos vertedouros é integralmente realizada pela plataforma SICAM 8. Os sistemas de controle nativos digitais utilizam protocolos normatizados para garantir KPIs de performance, qualidade e flexibilidade, permitindo que a infraestrutura hídrica compense as variações rápidas de outras fontes intermitentes.
Considerando que o Brasil possui um parque robusto de PCHs em operação há décadas, a viabilização de modernizações (retrofits) a custos competitivos é um fator crítico de sucesso. A estratégia da companhia baseia-se em modelos de negócios customizados e no uso intensivo de tecnologias de acesso remoto seguro e IoT. O suporte operacional é oferecido por meio de contratos diretos de manutenção, executados tanto por equipes próprias quanto por uma rede capilarizada de parceiros locais, o que assegura o atendimento técnico independente da região do país.
Olhando para o cenário de curto e médio prazo, a Siemens adota uma estratégia comercial Omni Channel para se posicionar como o principal provedor tecnológico do setor. O foco está voltado não apenas para PCHs e grandes UHEs, mas também para concessionárias de transmissão.
A meta de faturamento para 2026 reflete o alinhamento da empresa com as novas demandas estruturais do Operador Nacional do Sistema (ONS), que incluem os leilões de reserva de capacidade, a gestão de restrições de escoamento (curtailment), o controle de inércia e a crescente complexidade regulatória e técnica da rede elétrica brasileira.


