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Atiaia Renováveis mira novos leilões de PCHs e baterias enquanto avança com obras em Goiás

UHE Estrela

De olho nas próximas oportunidades do setor elétrico, a Atiaia Renováveis estrutura sua atuação para marcar presença no leilão de reserva de capacidade para armazenamento em baterias e no próximo leilão de PCHs.

No certame de baterias, a empresa cadastrou sete projetos, somando 210 MW de potência (30 MW cada) e 840 MWh de capacidade de armazenamento. No entanto, a dimensão total das inscrições no mercado — que somam quase 300 GW — indica uma concorrência extremamente acirrada. Diante disso, segundo o CEO da Atiaia, Rodrigo Assunção, apenas uma parcela reduzida de projetos sairá vitoriosa, o que deve comprimir fortemente as taxas de retorno do certame.

“Caso esse cenário de retornos excessivamente comprimidos se confirme, a companhia manterá sua disciplina financeira e respeitará os limites de viabilidade do negócio. Se a dinâmica de preços não for atrativa, a Atiaia preservará seu capital para aguardar janelas de oportunidades mais adequadas no futuro”, sustenta o executivo.

Leilão de Energia de Reserva

Paralelamente, a principal aposta de longo prazo da companhia segue sendo o mercado de PCHs previsto na Lei nº 14.279/2021. A empresa acompanha com atenção os desdobramentos do Ministério de Minas e Energia para os próximos Leilões de Energia de Reserva que preveem a contratação de 3 GW em PCHs para o período de 2032 a 2034.

A expectativa é que a portaria normativa seja publicada entre setembro e outubro, viabilizando o certame no primeiro semestre de 2027. Para a Assunção, os atributos de flexibilidade e controle das PCHs são fundamentais para a segurança do sistema frente ao avanço de fontes intermitentes. “Com vasta experiência no desenvolvimento, implementação e operação desse tipo de ativo, a empresa se posiciona como uma forte candidata a figurar entre os maiores sucessos desses leilões, a fim de gerar valor para acionistas, comunidades e para o país.”

A consolidação da empresa no setor hídrico também passa pelo avanço de seus projetos em construção e planejamento. Em Goiás, as obras da PCH Taboca e da UHE Estrela superaram a marca média de 85% de execução, preparando a Atiaia para um segundo semestre de entregas.

Na PCH Taboca, a autorização do ONS para o enchimento do reservatório está prevista para este mês de agosto, devendo se estender ao longo de setembro, enquanto a WEG finaliza a instalação dos equipamentos. A previsão é que a primeira unidade geradora entre em operação comercial entre o final de outubro e o início de novembro, e a segunda até o fim de novembro.

PCH Taboca

Já na UHE Estrela, após a conclusão do desvio do rio em junho, as equipes finais da barragem trabalham para permitir o enchimento do reservatório no quarto trimestre. O ciclo de construção foi mais curto do que o usual após superação de gargalos no licenciamento ambiental — exigência da comprovação da posse efetiva das terras para a emissão da Licença de Instalação.


Assunção prevê a entrada em operação de sua primeira unidade no meio de novembro e da segunda em dezembro. A proximidade geográfica entre os dois empreendimentos gerou sinergias operacionais, como a unificação de equipes de engenharia e compras em escala de turbinas e geradores, garantindo um ganho de eficiência entre 3% e 4% no custo total.

No campo operacional, a PCH Taboca será integrada ao Centro de Operações da Atiaia em Cuiabá, que já automatiza oito PCHs e quatro usinas solares. A UHE Estrela terá sua operação ajustada às diretrizes de despacho centralizado do ONS. Em paralelo, no âmbito socioambiental, a empresa investe recursos próprios na recuperação de 50 hectares de vegetação nativa nas nascentes do Rio Araguaia, via projeto Juntos pelo Araguaia.

Pensando no médio prazo, a empresa projeta para o início de 2028 as obras da PCH Tucano, viabilizada no Leilão A-5. O planejamento prevê a contratação da construtora em 2027, início das obras em 2028 e entrada em operação comercial em setembro de 2029, antecipando-se ao compromisso de entrega comercial para janeiro de 2030.

Para financiar essa expansão diante da escassez de linhas públicas tradicionais, a Atiaia vem recorrendo ao mercado de capitais via emissão de debêntures de infraestrutura — modelo aplicado na PCH Taboca, UHE Estrela e que estruturará a PCH Tucano. A solidez do Grupo Cornélio Brennand e o histórico de execução da empresa garantem acesso a taxas de juros competitivas com parceiros de longo prazo, explica o CEO da Atiaia.

Risco para as PCHs

Sobre as novas atribuições das distribuidoras a partir de 2028, quando passarão a atuar como operadoras ativas de seus próprios sistemas distribuídos, Assunção afirma que este é um risco direto para as PCHs.

Segundo ele, o ONS tem levantado a mão para alertar sobre a necessidade de manter o equilíbrio do sistema. Foi por isso que, em junho, colocou-se em prática pela primeira vez um plano emergencial permitindo que as distribuidoras fizessem cortes de distribuição em alguns agentes.

“Fomos impactados por isso: das nossas 12 usinas, 11 estão conectadas à rede de distribuição. Na medida em que o papel das distribuidoras ganha esse protagonismo no sistema nacional, o risco de cortes para as PCHs infelizmente aumenta. Isso nos parece injusto e perigoso, pois não fomos nós que demos origem ao problema — a causa real é o excesso de oferta vindo da geração distribuída”.

Nos casos de sobreoferta, Assunção assinala que o governo tem sinalizado que o risco é do gerador, e não do sistema, o que também se aplica a algumas usinas do Mercado Livre.  “No entanto, quem definiu o tamanho da usina a ser construída, no caso do mercado regulado, foi o próprio Poder Concedente,

 por meio dos leilões da Agência Nacional de Energia (Aneel). Se apenas reagimos a um comando governamental para colocar a usina em operação, é no mínimo uma incoerência o governo agora afirmar que o risco de excesso de oferta é nosso. Esse é um dos motivos pelos quais considero esse tipo de corte inadequado. Entendemos o desafio do ONS, mas vemos esse movimento com muita preocupação”.

De outra parte, segundo o CEO da Atiaia, as restrições de geração impactam com mais força as usinas solares, mas já começam a atingir as PCHs, com empresas sofrendo cortes frequentes. “O que nos preocupa especialmente é que isso pode crescer e levar as PCHs a sofrerem tanto ou mais que as solares, o que não é justo nem correto. Quem causou o problema foi a GD, que precisa ser trazida para o debate. Há mais de 50 GW de GD oficiais no sistema e cerca de 10
GW extraoficiais; portanto, não é razoável que a micro e minigeração distribuída saia dessa conta sem assumir a sua responsabilidade”.

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