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Como a Head Energia capacita a nova liderança do Setor Elétrico Brasileiro

Da esquerda para a direita: Nathália Nóbrega, Fabiola Sena e Rebeka Passos

As intensas transformações pelas quais passa o Setor Elétrico Brasileiro (SEB) redesenharam a rotina das empresas, mudaram regras de mercado e impuseram um ritmo acelerado de inovação tecnológica e regulatória. Nesse cenário, o comportamento de busca por capacitação funciona como um termômetro direto da indústria — e aponta para uma urgência: a necessidade de profissionais capazes de transitar com fluidez entre a técnica, a regulação e a visão de negócios.

Para entender como o mercado tem respondido a esses desafios, conversamos com Fabiola Sena, sócia-fundadora e CEO da Head Energia. Criada em julho de 2021 ao lado de Nathalia Nobrega e Rebeka Gomes, a edtech já capacitou mais de 4.000 profissionais e se consolidou como uma referência na formação de agentes para o setor elétrico.

A seguir, a pedido de Hydro Brasil a  executiva analisa os gargalos de mão de obra qualificada, a maturidade da comercialização varejista, o impacto de novas tecnologias como o armazenamento de energia (BESS) e a evolução do perfil profissional exigido pelo mercado.

Sazonalidade e a lacuna entre academia e mercado

Segundo Fabiola, a  demanda por capacitação acompanha de perto os movimentos do próprio setor elétrico, revelando uma sazonalidade bastante clara. Em períodos de revisão de tarifas de transmissão, por exemplo, cresce a procura por conteúdos de regulação da transmissão. Quando o mercado se prepara para leilões de armazenamento, aumenta o interesse por análise de investimentos e estudos de viabilidade envolvendo baterias.

Temas envolvendo comercialização de energia, autoprodução, curtailment e regras de mercado também permanecem com demanda elevada, atestando a necessidade de atualização permanente. Para Fabiola Sena, o desafio central não é a escassez absoluta de profissionais, mas sim uma assimetria:

“Não há necessariamente uma falta de profissionais no mercado, mas muitas vezes uma lacuna entre a formação disponível e as competências exigidas pelas posições abertas. A universidade cumpre um papel fundamental na formação conceitual, mas nem sempre prepara o profissional para a realidade prática da indústria, até porque boa parte do corpo docente construiu sua trajetória predominantemente no ambiente acadêmico.”

Em um setor cada vez mais complexo, as empresas buscam nomes capazes de conectar conhecimento técnico, regulação, mercado e visão de negócio — a ponte exata onde a Head Energia atua,  completa Fabiola.

Um setor multidisciplinar e em mutação

O perfil do aluno da plataforma reflete essa guinada. A instituição observa dois movimentos simultâneos: de um lado, profissionais veteranos que buscam atualização diante de novas tecnologias e mudanças regulatórias; de outro, um contingente expressivo de executivos que chegam de outras indústrias ou assumem novas atribuições ligadas à energia.

Esse fluxo é natural. O setor elétrico deixou de ser um reduto exclusivo de engenheiros e especialistas tradicionais, exigindo hoje uma visão multidisciplinar que abrange finanças, direito, tecnologia, estratégia, sustentabilidade, governança e gestão de riscos.

Sobre o impacto da abertura do mercado livre e o avanço da geração descentralizada e de pequeno porte, a CEO destaca que a abordagem da empresa é transversal:

“Nossa abordagem busca preparar o profissional para temas que impactam diferentes segmentos do setor elétrico. Pequenos geradores hídricos se beneficiam desses conteúdos da mesma forma que agentes de outras fontes, comercializadores, consumidores e investidores. Mais do que formar para um nicho específico, nosso objetivo é desenvolver profissionais capazes de entender como regulação, preços, contratos e riscos se conectam na tomada de decisão.”

Maturidade do varejo e gestão de riscos

Com o avanço da abertura para os consumidores do Grupo A, o mercado assistiu a uma corrida na criação de comercializadoras e consultorias. Para Fabiola, houve um avanço importante de maturidade, mas o setor ainda convive com lacunas relevantes de preparação técnica e mitigação de perigos financeiros.

Muitas empresas vindas da geração distribuída passaram a enxergar o varejo como uma extensão natural de seus negócios, sem dimensionar a complexidade operacional exigida:

“Operar no varejo exige uma estrutura de gestão muito mais sofisticada, com controles de crédito, exposição, garantias e liquidez. Preocupam-nos expansões muito aceleradas sem a correspondente capacitação técnica. O próprio mercado atacadista já vem mostrando, nos últimos anos, que a comercialização envolve riscos significativos, inclusive com casos de empresas em crise e recuperação judicial.”

Para mitigar esse cenário, a Head Energia registra alta procura por formações avançadas em gestão de portfólio, segurança de mercado e governança. Nesse ecossistema, o preparatório para a Certificação de Operadores de Mercado da CCEE destaca-se como um divisor de águas: desde 2022, 37% dos profissionais aprovados no exame nacional estudaram na plataforma.

Inovação, BESS e competências executivas

O debate sobre armazenamento de energia por baterias (BESS) e a separação de Lastro e Energia também já se convertem em busca ativa por treinamento em modelagem financeira e regulatória. Segundo Fabiola, o foco do aluno evoluiu: deixou de ser estritamente tecnológico para abraçar modelos de negócio, enquadramento regulatório, estrutura de receitas e viabilidade econômica.

Olhando para o futuro, a estratégia da edtech é acompanhar permanentemente as transformações do setor, inserindo no radar temas como hidrogênio verde, biometano, a Reforma Tributária no SEB e a descarbonização.

Contudo, a principal tendência apontada pela CEO transcende o conhecimento técnico especializado:

“À medida que os profissionais avançam na carreira, passam a precisar de outras competências para assumir posições executivas: liderança, visão estratégica, gestão de riscos, comunicação, negociação, governança e gestão de pessoas. Foi justamente a partir dessa demanda que criamos a Formação de Executivos para o Mercado de Energia, unindo competências de liderança aos desafios específicos do setor.”

O modelo de Lifelong Learning

Refletindo o dinamismo do setor, o produto de maior sucesso da Head Energia é a assinatura anual, estruturada sob o conceito de aprendizado contínuo.

Num ambiente regulatório e tecnológico que se transforma com tanta velocidade, a capacitação pontual deixa de fazer sentido. A proposta da plataforma garante que o profissional trilhe sua jornada amparado por atualizações constantes — provando que, no novo mercado de energia, o ativo mais valioso continua sendo o capital humano preparado para transformar informação em decisão estratégica.

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