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Setor hidrelétrico do RS investe mais de R$ 150 milhões na blindagem das usinas contra cheias

UHE 14 de julho

O processo de reconstrução e adaptação climática do parque gerador de PCHs e CGHs  no Rio Grande do Sul avançou da fase emergencial de desimpedimento para uma etapa de reengenharia estrutural e resiliência contínua.

Focado principalmente nas bacias dos rios Taquari, Forqueta, Carreiro, Antas e Jacuí, esse movimento mobiliza  concessionárias, geradores independentes e cooperativas regionais — como Certel, Coprel, Creral, Ceriluz e o consórcio Ceran — na recomposição de ativos fundamentais para a matriz energética gaúcha.

A reconstrução do setor apoia-se em um aporte financeiro estimado em mais de R$ 150 milhões, distribuído de forma estratégica entre as unidades mais afetadas do complexo Taquari-Antas. A maior fatia individual desses recursos, entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões, é destinada à UHE 14 de julho (Cotiporã/Bento Gonçalves), cujas obras englobam a recuperação do vertedouro parcialmente rompido, o recondicionamento da instrumentação de segurança da barragem e a contenção dos maciços rochosos.

 Na PCH Salto Forqueta, da Certel, os investimentos somam entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões para a reconstrução integral da casa de força, recondicionamento e troca dos conjuntos turbina-gerador, elevação do nível das instalações elétricas e dragagem do canal de fuga. O valor restante, variando de R$ 15 milhões a R$ 25 milhões no agregado, distribui-se em intervenções de R$ 3 milhões a R$ 8 milhões por unidade em PCHs e CGHs de menor porte nos rios Carreiro e das Antas, voltadas ao desassoreamento e à recomposição de painéis de comando.

As frentes prioritárias

Essas intervenções dividem-se em três frentes técnicas prioritárias. Na infraestrutura civil, que consome cerca de 40% do montante total (R$ 60 milhões), o foco está na estabilização de taludes por enrocamento e gabiões, no desassoreamento dos reservatórios e na ampliação da capacidade dos vertedouros — incluindo soluções do tipo labirinto.

 A recomposição eletromecânica absorve aproximadamente 35% dos investimentos (R$ 52,5 milhões) para a substituição de geradores, transformadores e sistemas hidráulicos destruídos. Por fim, cerca de 25% do aporte (R$ 37,5 milhões) é direcionado à automação e à blindagem climática, contemplando a realocação de salas de controle e subestações para cotas topográficas superiores, o dimensionamento de comportas automatizadas acionadas por geradores dedicados e a instalação de sensores geotécnicos e telemetria via satélite.

Paralelamente à recuperação dos ativos danificados, o setor expande sua capacidade e reforça o planejamento territorial. A Coprel avança com a PCH Santo Antônio do Jacuí (5,2 MW, em Victor Graeff/Mormaço), um empreendimento de R$ 75 milhões com quatro turbinas Kaplan Bulbo e vertedouro labirinto, projetado para operação no segundo semestre de 2025.

No rio Forqueta, a Certel estrutura a PCH Vale do Leite (28,9 MW no complexo, com previsão para 2027), aplicando novos parâmetros de engenharia contra cheias extremas. O restabelecimento da geração dialoga diretamente com as obras viárias de elevação de pontes na BR-386 e rodovias estaduais, bem como com o Programa de Inundação e Resiliência (PIR) do governo estadual, que delimita zonas de arraste nas margens dos rios e reorganiza o uso do solo nos municípios do Vale do Taquari. Financiadas por capital próprio, indenizações de seguros e linhas de crédito emergenciais do BNDES, BRDE e Badesul, as obras têm conclusão gradual entre meados de 2025 e 2026, consolidando um novo padrão de segurança hídrica e energética no estado.

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