Setor elétrico 2025: entre a abundância de recursos e a escassez de segurança jurídica

O encerramento de 2025 consolida um período particularmente sensível para o setor elétrico brasileiro. O ano foi caracterizado por uma elevada instabilidade regulatória, crescente insegurança jurídica e uma persistente ausência de coordenação entre as políticas energética, climática e o planejamento setorial. Embora o discurso oficial permaneça alinhado à transição energética e à descarbonização, o conjunto de normas, atos infralegais e decisões administrativas adotadas ao longo do ano produziu efeitos que caminham na direção oposta: aumento de riscos sistêmicos, elevação de custos e perda de previsibilidade para investidores e consumidores.

Due diligence da GeoEnergy dispara 50% em meio à forte negociação de ativos de PCHs

A GeoEnergy Engenharia, de Florianópolis, do setor de engenharia consultiva para o mercado de energias renováveis e infraestrutura, registrou um aumento de 50% na demanda de due diligence nos últimos anos, em comparação a anos anteriores. “O crescimento reflete a forte negociação de ativos em operação, ou em desenvolvimento,” informou Marcelo Gasparetto, diretor-executivo da empresa, à Hydro Brasil.

Abragel foca em escoamento e sustentabilidade após conquistas de 2025

Após um ano de vitórias significativas, que garantiram ao segmento a retomada dos leilões para centrais hidrelétricas de até 50 MW, a Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel) volta seu foco para os desafios de infraestrutura e equilíbrio regulatório do setor elétrico. As pautas foram definidas na Assembleia Geral que celebrou os 25 anos da entidade.

Thymos propõe mudança estrutural no setor elétrico com redução de custos

A Thymos Energia, uma das principais consultorias especializadas no setor elétrico brasileiro, está propondo uma mudança estrutural nos modelos de operação e formação de preços de energia do país. A proposta, detalhada no estudo “Novo Paradigma da Operação (NPO)”, tem o potencial de reduzir os custos operacionais em até 50%.

O licenciamento ambiental ainda é o grande gargalo das PCHs

Agora que a MP 1304 foi sancionada em Lei nº 15.269/2025, vamos nos organizar para participar da regulamentação da lei pela Aneel. Teremos um leilão pela frente que será importantíssimo para nosso segmento, com suprimentos em 2031, 2032 e 2033. Vamos nos organizar junto às tratativas com os órgãos ambientais.

Tradener sugere expansão das linhas de transmissão das distribuidoras nas regiões próximas aos rios para viabilizar projetos de PCHs menores

A Tradener, de Curitiba, primeira comercializadora do país a entrar em operação no mercado livre, possui dois projetos de PCHs de 30 MW em Goiás que dependem diretamente da viabilidade de conexão para serem habilitados em futuros leilões de energia. De acordo com o CEO, Guilherme Ávila, ao tentar cadastrar esses empreendimentos para o leilão A-5, deste ano, a empresa foi notificada de que não haveria escoamento disponível.

Da Rio-92 à COP-30_ Três décadas entre o ideal e a realidade da política energética brasileira

A realização da COP-30 no Brasil, agora já concluída, reabriu um debate necessário sobre a evolução — ou a falta dela — da política energética e climática brasileira. Mais de três décadas após a Rio-92, desde a criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, passando pelo Protocolo de Quioto, pela COP-15 em Copenhague e pela Rio+20, o país alternou momentos de protagonismo diplomático com decisões internas erráticas e pouco estratégicas. A transição energética avançou no discurso, mas permaneceu lenta e fragmentada em sua execução. Examinar essa trajetória exige não apenas a análise dos dados da matriz energética brasileira, mas também a consideração das experiências práticas acumuladas em projetos pioneiros de descarbonização — como os primeiros projetos de MDL do início dos anos 2000.