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Com leilão inédito no horizonte e expansão de renováveis, Cristiano Braga, CEO da Anodox Brasil, destaca o potencial industrial do país e aponta os gargalos do novo marco regulatório.

Linha de produção da Anodox no Sri Lanka

A indústria global de armazenamento de energia por baterias vive uma expansão acelerada nos mercados maduros do Hemisfério Norte e da Ásia. No Brasil, contudo, o setor ainda engatinha — mas prepara-se para um salto regulatório e industrial que pode redesenhar a matriz elétrica da maior economia da América Latina.
O momento combina o avanço exponencial de fontes renováveis intermitentes, gargalos severos de estabilidade na rede de transmissão e a iminência do primeiro leilão de reserva de capacidade dedicado a sistemas de armazenamento no país.

Para o CEO da Anodox Brasil, Cristiano Braga, a janela de oportunidade transcende a mera importação de equipamentos pré-fabricados. O verdadeiro valor estratégico reside no estabelecimento de uma cadeia produtiva local completa.

O que nos entusiasma nesse momento é que essa indústria de armazenamento de energia ainda está nascendo no Brasil, mas já crescendo no mundo”, ressalta.

“Existe uma oportunidade de o país estabelecer toda uma nova economia, não só importando equipamentos, mas construindo cadeia produtiva local, gerando empregos e, quem sabe, exportando tecnologia de qualidade lá na frente”, destaca Braga. “A Anodox já faz parte disso, com tecnologia diferenciada e desenvolvendo as parcerias certas.”

Nesse cenário de inflexão, a Anodox Brasil S.A. posiciona-se como um dos atores na linha de frente dessa transformação. Fundada originalmente em Gotemburgo como Anodox AB, a empresa estabeleceu sua operação brasileira no final de 2024 através de uma joint venture estratégica com um parceiro brasileiro. A estrutura une a engenharia europeia e parcerias de fabricação na China à capacidade financeira e conhecimento regulatório do parceiro local.

A escolha do Brasil como hub de crescimento foi motivada por uma combinação de fatores operacionais e econômicos. O país ostenta um dos setores elétricos mais dinâmicos do planeta, mas a expansão acelerada de fontes renováveis intermitentes (solar e eólica) criou desafios urgentes de estabilidade na rede, impulsionando a demanda no setor industrial e comercial (C&I) e acelerando a criação do marco regulatório.

A operação já está em andamento sob o comando de Braga. A empresa atua via importação dos sistemas BESS produzidos pela cadeia industrial ligada ao grupo, com contratos firmados em diversas indústrias e um pipeline ativo nos setores de energia, saúde e varejo, cobrindo o Brasil e toda a América Latina.

 Dúvidas do setor

Um marco recente fundamental para o setor foi a publicação da Portaria Normativa MME nº 136/2026 pelo Ministério de Minas e Energia, que estabeleceu as regras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP). Os certames estão marcados para dezembro de 2026, com contratos de 15 anos e início de suprimento previsto para agosto de 2028.

Braga e a equipe diretiva da Anodox veem com bons olhos o apoio do MME, da EPE, da ANEEL, do BNDES e do governo ao promover o leilão, destacando que a iniciativa dá ao mercado um sinal vital de longo prazo.

“A grande dúvida está nos prazos e na profundidade do mercado: quanto tempo o conteúdo local levará para entrar em produção frente ao cronograma do leilão, quantos novos leilões virão depois deste e como se dará a precificação”, analisa  Braga.

Segundo a avaliação de Braga sobre o momento do setor, a decisão final de investimento em capacidade produtiva nacional depende diretamente dessa clareza. “Para o dimensionamento correto e aprovação dos investidores interessados, o mercado precisa entender a sustentabilidade financeira dos contratos e a continuidade da demanda nos próximos anos”, afirma.

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