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A Cooperativa Regional de Desenvolvimento Teutônia (Certel) completou a execução de 20% das obras físicas da PCH Vale do Leite. Localizada no rio Forqueta, na divisa entre os municípiosde Pouso Novo e Coqueiro Baixo. A usina é o ponto de partida para um ambicioso complexo hidrelétrico que prevê a instalação de outras quatro unidades ao longo do rio, consolidando a região como um polo de energia limpa e cooperativa.
A PCH Vale do Leite, projeto vencedor do leilão A-5, de 22 de agosto de 2025, terá uma potência instalada de 6,4 MW e operará no sistema a fio d’água. Originalmente orçada em R$ 72 milhões, o investimento saltou para R$ 85 milhões. Segundo o presidente da Certel, Erineo José Hennemann, o reajuste foi necessário para garantir a segurança estrutural após as inundações históricas registradas em 2024.
“Quando aumentamos as cotas de cheias, temos de aumentar a robustez da barragem. Isso implica mais ferro e cimento para que a estrutura, de 150 metros de comprimento, suporte com segurança eventos climáticos extremos”, explicou Hennemann. Além da barragem, a casa de máquinas foi redesenhada em um modelo mais resistente, similar ao “bunker” já utilizado na recuperação da PCH Salto Forqueta.
A Vale do Leite será a terceira usina da Certel no rio Forqueta, juntando-se às já operantes Rastro de Auto (7,02 MW) e Salto Forqueta (6,12 MW). O plano de expansão da cooperativa na Bacia Taquari-Antas é ainda mais vasto e contempla outras quatro futuras PCHs: A Foz do Jacutinga: 5,5 MW; Vale Fundo: 5,6 MW; Moinho Velho: 4,2 MW e Olaria: 3,7 MW.
A energia produzida pela Vale do Leite será injetada no Sistema Interligado Nacional (SIN) através de uma Linha de Transmissão de 69 kV conectada à subestação Canudos do Vale.
Para além da geração de energia, o empreendimento carrega um forte viés ambiental. O projeto viabilizará a criação do segundo maior corredor ecológico do Rio Grande do Sul, com uma faixa de preservação de mais de 100 km ao longo das margens do rio Forqueta. A área de alagamento será reduzida, ocupando apenas 0,49 km².
O financiamento reforça o modelo de intercooperação, sendo integralmente custeado por recursos próprios da Certel e por quatro agências do Sicredi da região. A execução das obras civis está a cargo da Fraga Construtora, com equipamentos fornecidos pela Hidroenergia.
Embora o contrato de venda de energia preveja a entrega para 2030, a eficiência logística da Certel projeta a entrada em operação já para fevereiro de 2027.
Em 19 de fevereiro, a cooperativa comemorou 70 anos, com a inauguração da nova sede operacional de Lajeado, em investimentos de R$ 12 milhões. “Éramos 174 associados, quando resolvemos criar a cooperativa. Hoje somos 80 mil, com mais de 4.800 km de rede elétrica, levando energia para 48 municípios do RS, com uma capacidade instalada de 28,92 MW”, celebrou Hennemann.


