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Com faturamento superior a R$ 600 milhões e um plano de investimentos de R$ 509 milhões até 2027, a empresa foca em personalização e segurança energética para atrair o novo consumidor varejista.
O setor elétrico brasileiro vive um momento de transição histórica. Com a abertura do Mercado Livre de Energia para todos os consumidores do Grupo A e a crescente digitalização, a Ludfor, uma das principais referências em consultoria e gestão de energia no país, está redesenhando sua estratégia. Em entrevista, Alexandre Becker, porta-voz da companhia e especialista em autoprodução, detalhou como a empresa pretende equilibrar o crescimento massivo da base de clientes com a manutenção da qualidade técnica.
Para suportar a entrada de consumidores de menor porte sem perder o DNA consultivo, a Ludfor aposta em uma fórmula híbrida: digitalização dos serviços base e robustez técnica. “Estamos apostando na digitalização para serviços como coleta de dados, otimizando o tempo, mas mantemos uma equipe de mais de 300 pessoas, sendo quase metade engenheiros”, afirma Becker. O lema “Entender para Atender” guia a expansão estruturada, que visa manter o reconhecimento de mercado mesmo diante da escala.
Gargalos: O desafio além do preço
Apesar do otimismo com o chamado “oceano azul” do varejo, Becker aponta obstáculos críticos. Para ele, a precariedade da rede de distribuição nacional e a demora na expansão de subestações são freios reais. “Muitas empresas têm sido direcionadas a subir de classe de tensão (para 69 kV) apenas para continuar ampliando ou ter acesso a uma conexão com menos interrupções”, explica.
No entanto, o maior entrave não é apenas físico, mas regulatório e institucional. O especialista destaca: O risco de quebra de comercializadoras varejistas nos últimos dois anos reduziu a confiança do pequeno consumidor. De outra parte, mudanças constantes de regras e o aumento de encargos por subsídios geram uma “contradição difícil de explicar” em um país com energia abundante.
O papel estratégico das PCHs
Em um cenário dominado pelo crescimento explosivo das fontes solar e eólica, a Ludfor defende a revalorização das PCHs como âncoras de segurança. Becker ressalta que as PCHs oferecem a “energia de base” e a flexibilidade necessária quando as fontes intermitentes não estão gerando.
“Basta dar as mesmas condições regulatórias e agilidade de licenças. Precisamos que a hídrica volte a trabalhar com reservatórios para termos garantia física real, evitando colapsos sinalizados pelo ONS”, defende o executivo.
Investimentos
A Ludfor hoje possui participação em 53 projetos, totalizando mais de 160 MW de potência instalada, com um portfólio equilibrado entre hídrica (43%) e solar (57%). Entre os marcos recentes, destaca-se a conclusão das obras da PCH Campo Belo, cuja energia atenderá ao mercado cativo.
No campo corporativo, a empresa utiliza seu primeiro Relatório de Sustentabilidade como ferramenta de negócio. Ao investir em módulos bifaciais e usinas a fio d’água, a Ludfor se posiciona como um “HUB de negócios” para clientes que precisam reportar metas de ESG.
Para 2026 e 2027, o foco está na consolidação da Simplifica Energia, braço de energia por assinatura que já opera em seis estados com mais de 6 mil clientes. A empresa permanece atenta a oportunidades de crescimento inorgânico (aquisições), mantendo a expansão da gestora do mercado livre, que hoje conta com mais de 20 times comerciais.
Ao concluir, Becker reforça que a energia não deve ser vista apenas como uma commodity: “Nosso foco é a prestação de serviços. Apoiamos o cliente em tempo hábil na tomada de decisão, mitigação de custos e auxílio jurídico. É isso que nos diferencia de quem trabalha apenas pelo desconto na fatura.”


