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Minas Gerais possui mais de 1,5 GW em projetos hidrelétricos em desenvolvimento à espera de licenciamento e conexão

Augusto Machado, presidente do Sindicato da Indústria da Geração, Transmissão, Distribuição e Comercialização de Energia Elétrica (SINGTD)
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Com uma vocação natural histórica para a geração hidrelétrica, Minas Gerais vive um momento de dualidade no setor energético. De um lado, um pipeline relevante que soma mais de 1,5 GW em projetos, em diferentes níveis de maturidade, de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Usinas Hidrelétricas (UHEs) de até 50 MW; de outro, um cenário de incertezas que envolve o licenciamento ambiental e a crescente dificuldade de escoamento da energia produzida.

Para Augusto Machado, presidente do Sindicato da Indústria da Geração, Transmissão, Distribuição e Comercialização de Energia Elétrica (SINGTD), o potencial do estado nas fontes renováveis é “abençoado”, mas a conversão desses projetos em investimentos efetivos depende de uma convergência urgente entre planejamento setorial e realidade ambiental.

O pipeline mineiro em números

Atualmente, segundo dados do SIGA da ANEEL, o estado possui um volume expressivo de projetos com Despacho de Registro de Intenção (DRI) ou Despacho de Registro de Adequabilidade (DRS), com um total de 1.579,24 MW (sem contabilizar as CGHs).

“O dado em MW é importante, mas precisa ser lido em conjunto com o grau de maturidade dos processos, viabilidade ambiental e condições de conexão dos projetos”, ressalta Machado. Ele aponta que o ciclo 2026-2030 tende a favorecer projetos em bacias localizadas nas regiões Oeste, Sul e Leste de Minas, onde a viabilidade técnica e a proximidade com o sistema existente aumentam as chances de sucesso.

Um dos pontos centrais da discussão é a agilidade dos órgãos ambientais. Embora reconheça avanços consideráveis na digitalização e transparência por parte da SEMAD, Machado enfatiza que o investidor busca previsibilidade.

A sanção da Lei Geral do Licenciamento Ambiental em agosto de 2025 é vista como uma oportunidade de ouro. “A lei representa uma chance ímpar de aprimorar a segurança jurídica sem reduzir o rigor técnico. Minas já abriu uma frente de regulamentação estadual em 2026, e o SINGTD, junto à FIEMG, está contribuindo ativamente para que a prática administrativa seja clara e estável”, afirma.

O gargalo da conexão

Apesar do otimismo com o potencial do Estado nas fontes renováveis de energia, um ponto de atenção relevante foi indicado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). O mais recente Mapa de Margem de Escoamento indicou margem “zero” para Minas Gerais na maioria dos pontos estudados para o horizonte pós-2031. Embora este mapa não seja, isoladamente, a referência para a contratação nos leilões do Governo Federal, estes dados devem ser analisados e considerados pelos investidores.

“A conexão hoje é um dos principais gargalos. Sem solução de acesso, o projeto pode até existir técnica e ambientalmente, mas não consegue se materializar no curto prazo”, lamenta Machado. “Por isso, eu entendo que os empreendimentos que contam com previsão legal e sinal de contratação precisam ter tratamento compatível no planejamento do acesso. Não se trata de privilégio, mas de coerência sistêmica. Se o país decide contratar determinados empreendimentos, precisa também estruturar os meios para que eles possam se conectar e entregar o benefício esperado ao sistema”, conclui Machado.

Essa dificuldade foi sentida no Leilão A-5 de 2025, onde, dos 31 projetos cadastrados, apenas três foram efetivamente habilitados devido, também, às limitações das subestações. Para 2026, a expectativa é que a modernização de usinas antigas (repowering), expansões das redes e novas linhas de financiamento, como as oferecidas pelo BDMG, ajudem a mitigar riscos.

 O futuro da matriz

Sobre a concorrência com as fontes solar e eólica, que avançam rapidamente no Norte de Minas, Machado é categórico: o foco deve ser a complementariedade.

“A transição energética não se constrói com uma fonte contra a outra. O país precisa de fontes intermitentes, mas também de soluções que garantam potência, flexibilidade e integração sistêmica, incluindo as hidrelétricas, biomassa, armazenamento e outras tecnologias “, explica. O tema será o centro do Energia & Indústria Summit, evento que será lançado em outubro de 2026 durante o Imersão Indústria da FIEMG, com foco nos investimentos necessários para corrigir os riscos operacionais do sistema elétrico brasileiro, antecipa Machado.

Projetos:

PCHs: 303,47 MW (DRI) e 1.126,10 MW (DRS).

UHEs (até 50 MW): 48,00 MW (DRI) e 101,67 MW (DRS).

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