O mercado de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) vive um momento de retomada, impulsionado pelas definições do Ministério de Minas e Energia (MME) e pelas perspectivas de novos leilões, que começam a desenhar o cenário de expansão do setor para os próximos anos.
Um exemplo desse quadro envolve a HydroWheel, sediada em Rio do Sul (SC), prospecta encerrar 2026 com uma carteira de pedidos superior à registrada nos dois anos anteriores e projeta ampliar esse volume em 2027.
Além dos contratos já firmados, mantém espaço em sua capacidade fabril para absorver uma parcela importante dos projetos atualmente em negociação, com perspectivas de definição nos próximos meses.
De acordo com Edson Sousa, responsável pela engenharia de aplicação e novos negócios da empresa, o mercado passou por uma mudança significativa no perfil da demanda. Se anteriormente os negócios estavam mais concentrados em projetos de Geração Distribuída (GD), atualmente observa-se uma migração para empreendimentos de PCHs, especialmente aqueles com potência de até 30 MW.
“Esse movimento foi impulsionado pelo leilão A-5 de 2025, com previsão de entrega de energia a partir de janeiro de 2030. Isso estabelece uma janela importante para a contratação de turbinas e geradores até meados de 2027, movimentando toda a cadeia de fornecimento”, explica Sousa.
Geograficamente, a maior concentração de oportunidades está na Região Sul, especialmente em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Também se destacam mercados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.
Referência
Segundo Sousa, o momento atual também exige uma reavaliação de empreendimentos que apresentam maior complexidade técnica e financeira de implantação.
“Estamos acompanhando projetos que necessitam de reestudos e soluções alternativas de engenharia e motorização. Nosso trabalho é desenvolver, juntamente com os clientes, configurações que permitam melhorar a viabilidade técnica e econômica dos empreendimentos, sem comprometer a confiabilidade e o desempenho dos equipamentos”, destaca.
Tendo como referência a fabricação de rotores Pelton e Francis a partir do conceito de monobloco usinado, a HydroWheel também vem acompanhando uma mudança importante na composição de seus negócios. Atualmente, mais de 60% da carteira de pedidos é formada por turbinas Kaplan, modelo aplicado a aproveitamentos hidrelétricos caracterizados por grandes vazões e baixas quedas.
“Essa evolução reflete a capacidade da HydroWheel de acompanhar as transformações do mercado e ampliar sua presença em diferentes segmentos da geração hidrelétrica. Nosso foco está em oferecer equipamentos de alto desempenho, qualidade e confiabilidade, desenvolvidos a partir de engenharia especializada e processos de fabricação que incorporam tecnologia e inovação. Além disso, mantemos uma relação próxima com os clientes, com atenção especial ao atendimento e ao suporte no pós-venda”, afirma Sousa.
Prazos
Em relação aos prazos de fabricação, Sousa explica que os períodos variam conforme o porte e a complexidade dos equipamentos. Para as turbinas de maior porte, os prazos ficam entre 16 e 20 meses, enquanto equipamentos Francis e Pelton de menor capacidade apresentam prazos estimados entre 12 e 16 meses.
A disponibilidade operacional também permanece como um dos principais direcionadores da empresa. Nesse sentido, a HydroWheel incorpora às suas propostas inspeções preventivas programadas entre 4.000 e 8.000 horas de operação, iniciativa que vem consolidando sua presença no mercado.
Esse cenário de evolução tecnológica acompanha novas exigências regulatórias e uma crescente preocupação dos empreendedores com o desempenho e disponibilidade operacional das usinas. Busca-se um aprimoramento dos requisitos de medição e acompanhamento operacional, ampliando a importância da instrumentação e da precisão na avaliação de desempenho das unidades geradoras.
Para Sousa, os clientes estão cada vez mais atentos à eficiência dos equipamentos e à otimização dos custos ao longo da vida útil dos empreendimentos.
Desafios
Apesar do aquecimento comercial, segundo o executivo, o crescimento também traz desafios importantes para a cadeia de fornecimento. Entre os fatores de atenção estão os componentes importados, a flutuação cambial e, principalmente, a disponibilidade de mão de obra especializada.
“A matéria-prima apresenta uma tendência de maior estabilidade dentro do ciclo de fornecimento. Nossa preocupação maior está na mão de obra. Temos uma demanda crescente por profissionais qualificados, mas encontramos uma disponibilidade cada vez mais restrita no mercado”.
Do lado dos investidores, o cenário também exige atenção. A disponibilidade de linhas de financiamento com taxas de juros competitivas continua sendo um dos principais obstáculos para a viabilização de novos empreendimentos.
“O desafio dos clientes está na complexidade de encontrar condições de financiamento que permitam viabilizar as obras e, ao mesmo tempo, cumprir os compromissos de entrega de energia previstos para o final desta década”, completa.
Portfólio
Em seis anos de atuação, a HydroWheel vem ampliando sua participação no mercado brasileiro de geração hidrelétrica. Ao final de 2026, a empresa contabiliza um portfólio de 88 Unidades Geradoras que representa 206 MW de capacidade instalada, distribuídos entre unidades já em operação e equipamentos em fase de em fabricação.


